3.Vivi

18 de fevereiro de 2009

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2.Lúcia

28 de janeiro de 2009

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A minha idéia de encontro ideal é um cara me chamando pra tomar café. Não me importo à que hora. Um bom café, um copo d’água com gás… Ventinho e boa companhia.

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Não sei por que o café só vem no dia seguinte. Quando as pessoas estão preocupadíssimas em se descomprometer.

Um café rápido na padaria, óculos escuros, impessoal. Bem corrido porque domingo é dia de almoçar com a vó.

Tanta espera pro momento mais importante, pra ele se converter no mais inadequado!

Na maior das descomposturas, o sujeito afirma coisas lacônicas.

Você é especial, é a sentença campeã. Pode apostar que no dia seguinte ele não te liga.

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No dia seguinte do dia em que nos chamam de especiais, somos as mais retardadas. Abandonadas à companhia do doce, maior companheiro das horas difíceis. O único que suporta nossa especialidade.

Não sei o que é pior: ser especial ou ser simpática. Dos dois jeitos já não somos gostosas. E se tudo cai um dia, a gravidade já nos preveniu desse sofrimento. Somos trágicas em si, apesar de nos chamarem engraçadinhas.

1.Samir

20 de janeiro de 2009

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Escritor é aquele que escreve ou aquele que vive? E daí escreve, a partir do que vive e é vivido às suas voltas? Que nada…

Escritor é corno. Todos eles começam assim: no botar dos chifres.

Os bons escritores se aproveitam disso tudo. Correm atrás de chifres magros, gordos, de bronze, de marfim ou até mesmo de plástico, para com isso construírem a matéria de sua literatura.

Nelson Rodrigues é o maior corno que eu conheço. De outra forma, como poderia ser tão preciso?

O escritor começa a escrever porque trepar já não é suficiente para resolver as mazelas do espírito. Escrevendo para expurgar, o sujeito vai tomando gosto pela coisa e passa por estágios específicos:

1)Sujeito auto-piedoso: no papel o chifre tem muito mais chance de ficar bonito. Inicia-se assim, uma narrativa em primeira pessoa cujo fio condutor é a auto-piedade.

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2)Sujeito transeunte: o sujeito estabelece um convívio assíduo com as pendengas da própria vida e vai se familiarizando com os elementos-chave daquela história, até que…

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3)Sujeito vingativo: o sujeito adquire o controle da própria história e inicia a matança deliberada dos petulantes que estiverem em seu caminho. Come a mulher do próximo (eu também posso), no carro do próximo, com o próximo dirigindo.

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4)Sujeito transcendente: o estágio de transcendência é mais complexo do que a morte. Nele, o sujeito vingativo precisa retroceder estágios por escolha própria. Retornando assim, à condição de descontrole, da entrega do personagem numa narrativa-vida livre que não lhe pertence.

Hoje decidi: vou virar escritor.